Incessant search.


Ver as pessoas mudando não é o que machuca. O que machuca é lembrar quem elas costumavam ser.
— Clarice Lispector. 

(Source: bipolarefeliz, via beijos-blues-e-poesia)


Eu canso dos meus meio sorrisos tanto, tanto, que prefiro que a vida seja assim mesmo. E aí me pergunto se chorei de tristeza profunda ou alegria libertadora, o que acaba dando no mesmo porque minha profundidade me liberta. E eu pude chorar todos os meus medos no seu sofá e eu pude ficar curvada do jeito que a minha sombra, que só eu vejo, é. E eu pude borrar todos os meus disfarces e ficar feia sem culpa, porque a dor consegue ser sempre maior do que qualquer culpa, por isso o meu vício em sofrer. Eu chorei a nossa imperfeição, eu chorei a saudade enganada da nossa perfeição, eu chorei a nossa necessidade de não se largar, eu chorei a nossa necessidade de se largar, a nossa necessidade de fugir do mundo em nós e a nossa necessidade de fugir de nós encontrando como amigos. Eu chorei o nosso ego que sempre tem respostas para tudo e não pode perder, chorei o nosso silêncio cansado de perguntas e desprovido de interesses, a pobreza do mundo que nos impossibilita de sermos felizes sem culpa e eu chorei o espaço da nossa alma que ainda falta evoluir. Eu chorei o nosso medo de não sermos o que sonhamos. Eu chorei o medo que eu tenho de não ser quem você quer e o medo que eu tenho de ser exatamente o que você quer. Eu chorei porque precisava de colo, porque precisava te mostrar a minha fragilidade escondida no meu mau-humor. Eu chorei de birra do meu lado homem. Eu chorei porque vez ou outra ele ainda bate na minha porta e eu o deixo entrar, e eu sei que isso é medo do tanto que você habita todos os lugares. Eu chorei porque eu te amo mas eu não sei amar. Eu chorei porque eu sempre canso de tudo e tudo sempre cansa de mim. Chorei de cansaço profundo de sempre cansar de tudo e tudo sempre cansar de mim. Chorei de apego ao cheiro do novo e principalmente de melancolia pelo cheiro do velho. E chorei porque tudo envelhece com novos cheiros e a vida nunca volta. Eu chorei de pavor da rotina, de pavor do fim, de pavor de sair da rotina e começar outros fins. Eu deito na minha cama e imagino tudo o que pode acontecer, enquanto não toco de verdade na vida para não cansar demais e depois não ter forças para viver de verdade. Mas acabo dormindo e deixo pra depois. Mas eu chorei justamente porque descobri que viver na cabeça também é um tipo de coragem, porque eu não protejo a alma de feridas e nem de descanso.Eu chorei o meu medo de me mostrar pra você tanto, tanto, e não ter mais o que mostrar. Eu chorei minha infinidade de coisas e o medo de você não querer abrir os mais de um milhão de baús que existem escondidos na caixa cerrada que eu guardo embaixo do meu peito. Eu chorei meu fim e o medo do meu infinito. E eu teria chorado cinco anos se você não me dissesse que já era hora de parar. E eu chorei depois cinco anos escondida, porque eu não sei a hora de parar e não quero que ninguém me diga. Aliás, eu quero sim. Eu quero que você me diga quando for a hora de parar, de continuar e de não pensar em nada disso. Eu quero que você me acorde com uma lista de horas e outras lista de anos e sonhos pra cumprirmos juntos. Eu quero que você me dê a mão e me ensine o que é um relacionamento , eu quero que você me ensine a ser uma mulher para você. Ao mesmo tempo eu quero que vocë suma porque eu só quero ser uma mulher para mim. Eu me quero só para mim. Era minha a dor de ser solitariamente para mim. E você a substituiu pela dor de não querer mais ser solitariamente só para mim. Agora eu quero ser só sua, e isso me confunde tanto.E chorei porque tenho tanto medo de tudo o que é inteiro, que prefiro viver tudo na cabeça, enquanto o corpo relaxa na minha cama, longe de tudo.



Quem mal lê, mal ouve, mal fala, mal vê.
(Monteiro Lobato)

(Source: acalento, via iwillstayhere)


‎”O meu grande desejo e a minha esperança são de nunca falhar no meu dever, para que, sempre e agora ainda mais, eu tenha muita coragem. E assim, em tudo o que eu disser e fazer, tanto na vida como na morte, eu poderei levar outros a reconhecerem a grandeza de Cristo. Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho.” Filipenses. 1:20 -21


‎”Contanto que Dylan continue ecoando a velha vitrola pelo apartamento tudo está certo entre nós dois. Os dias deixam de acumular espera para absorver devir. Passo longas horas pensando em poucas linhas e o que sai de mim tenta ser conciso. Não pretendo voltar aqui tão cedo. É como visitar alguém que você ama. Que você sempre vai amar.”

- I.C. 


“É ofício do olhar chorar os excessos da alma.”


“Eu me volto pras palavras e venero seus encantos, como se por me descreverem pudessem me bastar. Palavra não faz carinho, menina, palavra não dá colo. É de abraço que eu preciso quando não há mais letra…”


(Source: -sena-, via scriptsandcolors)


carta 10

frances bateu na nossa porta ontem. parecia madrugada little bird, mas ainda era tarde: o céu acusava. o dia todo parece noite. o tempo finalmente parou como nós sonhavámos e eu posso ser eterno enquanto não sei que horas são. não tenho mais medo. só não tenho vontade. frances não ia desistir. você a conhece e sabes que tenho razão. ela entrou e me perguntou se eu estava doente. disse que tinha quebrado os espelhos e que não sentia nada. ela disse que eu estava assustador. mas não me movi. depois chorou mais olhando tuas fotos. percorreu com os dedos as faixas coloridas da parede. e partiu meu coração em cinco. amor, ela contornava até o limite as suas cores favoritas, do mesmo modo repetitivo e ausente em que você se movia e eu a amei. por frações de segundos ilusórios, ela era você e seu sorriso falso. não me alcancei mais. eu perdi as forças e concordei com ela que eu devia estar mesmo doente. ela entendeu e pediu desculpas. bebemos o ultimo scotch e acho que ela tinha receio de dizer qualquer coisa com medo de dizer tudo. também não disse nada. pensei nos teus olhos e na sua força que cedia quando não deixava ninguém olhar dentro de ti. era preciso segurar teu rosto forte como só eu tinha forças para faze-lo. você odiava e sentia falta quando não te exigia coragem. sorri. frances estranhou e sorriu de volta tendo certeza que lembrava de ti.

- ela ainda está aqui frances.

- eu sei. eu posso sentir. mas pela metade. ainda falta tanto luís.

e abraçou as pernas, eliza. os cabelos pretos escorregaram pelo chão que refletia e a fazia duas. e de novo eu te tive de volta. mas ela tinha razão. sempre faltava tua outra metade que não entediam que estava dentro de mim. por isso te tinha por inteira e te via em todos os detalhes. em todas as pessoas e braços. em todas as bocas e estrelas de chão, em todas as músicas e suspense mudo. em todos os abraços de pernas. e mesmo assim ninguém era você. nem mesmo frances com sinais de tua tristeza bonita.

hoje foi um dos dias mais bonitos de toda a minha vida. um dia muito seu. sempre seu. o dia e eu.

ana l. alves